Cuscuzeiro em 1999, antes do incêndio de 2000

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Um Pouco de História

 

A Pedra do Cuscuzeiro já é visitada por muitas pessoas há muito tempo. Esta pedra é um testemunho geológico formado de arenito. O arenito não é uma rocha muito explorada aqui no Brasil, mas oferece um estilo de escalada bastante interessante e definitivamente com vocação para a escalada esportiva. No arenito pretominam as faces verticais e negativas, e o que é melhor, com muitas agarras... Somente mais recentemente, com a própria popularização da escalada, que o local passou a ser visitado basicamente por escaladores. A algum tempo atrás havia onde hoje é a 30.Via da Carteirinha uma escada feita com trilhos da antiga ferrovia que um dia passou por Analândia. A escada era amarrada com cabos de aço a um precário sistema de ancoragem. Essa escada permitia o acesso ao topo por pessoas sem conhecimento algum de escalada e nem equipamentos. Por volta de 1993 a escada caiu por falta de manutenção e ninguém mais tomou a iniciativa de colocá-la de volta no lugar. Em seu lugar foram colocados 2 pinos (via da Carteirinha), e desde então o único acesso ao cume passou a ser escalando. Após o incêndio de 2000, como parte do trabalho de interdição de vias, foram tirados os 2 pinos da Carteirinha, e que agora necessita sewr feita em solo, ou há possibilidade de 1 proteção (nut médio) bem no meio. Atualmente outras rotas de escalada são mais indicadas para acesso ao cume. 

Na década de 80 o Cuscuzeiro foi freqüentado por um grupo de espeleologia de São Carlos (GAE), basicamente para rapel, e este grupo foi quem colocou as 5 ancoragens chumbadas ao cume com cimento. No começo da década de 90, já uma geração posterior ao GAE, é que começaram as primeiras atividades de escalada em rocha. A princípio este grupo de escaladores era totalmente desprovido de equipamentos e técnica, e felizmente nenhum acidente ocorreu. Este grupo se auto denominou "Grupo viagem", mas nunca existiu formalmente como grupo. Basicamente se utilizava os pinos chumbados pelo GAE para ancoragem de top rope usando na maioria das vezes blocante para a segurança. Dessa época vem a conquista de diversas vias, onde algumas posteriormente foram grampeadas para se guiar. Algumas conquistas dessa época são o Gato, as Pervas, o Bundão, a Espinhosa e a Visual. Posteriormente surgiu um grupo dentro da Universidade Federal de São Carlos, chamado CUME, que também tem algumas conquistas em top rope no Cuscuzeiro. O CUME é um grupo formalmente organizado como grupo, e desenvolve atividades nas áreas de escalada e espeleologia.

Com o passar do tempo, e principalmente com a interação com outros escaladores o grupo se desenvolveu tecnicamente. Aos poucos foi-se também conhecendo e desenvolvendo a técnica de colocação de pinos, que a princípio foram usados para criar novas bases para top rope no cume, e com o tempo surgiu a primeira via grampeada para se guiar, a Descabaçada e o Bundão. A segunda via foi o Paredão. No verão de 95 veio ao Brasil um escalador alemão que já conhecia o Cuscuzeiro de outras visitas, e trouxe em sua bagagem uma Bosh Buldog e um monte de pinos com tecnologia de colagem ao invés de expansão. Como legado, Karsten deixou 7 vias no Cuscuzeiro (ele gastou como 2 semanas para abrir todas elas!) e definitivamente deu um impulso muito forte à escalada no Cuscuzeiro. Depois de sua visita, devido ao grande número de novas opções de via para guiar o top rope passou a ser deixado de lado. Com o passar do tempo o Cuscuzeiro foi se firmando como um centro regional de escalada e a cada dia que passa como um dos centros de escalada em rocha esportiva do estado de São Paulo.

Este guia visa fornecer ao escalador um conjunto básico de informações para que ele se divirta o máximo possível no Cuscuzeiro, mas ao mesmo tempo esteja ciente e auxilie na sua preservação. Boa escalada!